sábado, 17 de abril de 2010

Claudette Soares


Claudette Cloubert Soares, Claudete Soares ou Claudette Soares (Rio de Janeiro, 31 de outubro de 1937) é uma cantora brasileira.


Carreira
Começou sua carreira muito cedo: foi revelada no programa A raia miúda, de Renato Murce, na Rádio Nacional. Apresentou-se no programa da Rádio Mauá chamado Clube do Guri, de Silveira Lima. Depois também se apresentou no programa Papel Carbono, de Renato Murce. Na Rádio Tupi participou do programa Salve o Baião!, conhecendo Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Ele a apelidou de Princesinha do baião. Ainda na década de 1950, na Rádio Tamoio, ela apresentou ao lado de Ademilde Fonseca o programa No mundo do baião (programa de Zé Gonzaga, irmão do Luís)

Silvinha Telles chamou-a para substituí-la como cantora na boate do Plaza, no final da década de 1950. Dividiu o palco com Luiz Eça, João Donato, Baden Powell e Milton Banana e outros músicos. Participou do programa de TV - Brasil 60, da apresentadora de TV e atriz Bibi Ferreira, pela TV Excelsior - canal 9, de São Paulo. Divulgou as canções da Bossa Nova em São Paulo, nas casas noturnas Baiúca, Cambridge e João Sebastião Bar. Inaugurou a boate Ela, Cravo e Canela, junto com o pianista Pedrinho Mattar, apresentando o espetáculo Um show de show. Em 1967, compareceu ao programa de TV Jovem Guarda, da TV Record, (Rede Record), canal 7 de São Paulo, ocasião em que interpretou Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos/Erasmo Carlos). Casou-se com o músico Júlio César Figueiredo, em 1972. Seu grande sucesso, De tanto amor, foi um presente de casamento dado por Roberto Carlos, que foi seu padrinho. Veio a se divorciar na década de 1990. Tinha um projeto junto com Dick Farney de gravar uma série de músicas brasileiras, mas, com a morte do amigo, isso foi abandonado. Claudette retomou à sua carreira artística, depois do seu divórcio. Fez turnês por Paris e Lisboa.

Carlos Lyra


Carlos Eduardo Lyra Barbosa (Rio de Janeiro, 11 de maio de 1939) é um cantor, compositor e violonista brasileiro.

É um importante músico da bossa nova. Autor das canções Maria Ninguém, Minha Namorada, Ciúme, Lobo bobo, Menina, Maria moita, Se é tarde me perdoa, entre outras.

Lançou em 2005, com Roberto Menescal, um documentário sobre a bossa nova chamado Coisa mais linda.

Foi casado com a ex-atriz Kate Lyra, que fazia o papel "Brasileiro é tão bonzinho".


http://www.carloslyra.com/

Baden Powell de Aquino


Baden Powell de Aquino (Varre-Sai, 6 de agosto de 1937 — Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2000) foi um violonista brasileiro.

Biografia
Filho de Dona Adelina e do violinista Lino de Aquino, que deu-lhe esse nome por ser fã do criador do Escotismo, general britânico Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. É pai do pianista e tecladista Philippe Baden Powell e do violonista Louis Marcel Powell (ambos nascidos na França) e primo do violonista João de Aquino.

Aos nove anos começou a estudar violão, mas só ficou famoso no Brasil quando constituiu uma parceria com Vinícius de Moraes, que escreveu versos para suas composições, criando o gênero dos afro-sambas.

Tocava a música tradicional brasileira, mas amava o jazz e logo desenvolveu um estilo que se baseava em Django Reinhardt e Barney Kessel. Passou a ser conhecido internacionalmente em 1966 quando Joaquim Berendt teve a oportunidade de conhecê-lo, convidando-o para gravar seu primeiro disco e visitar a Europa.

O sucesso não o abandonou e sua fama foi aumentando com seus discos, principalmente na Alemanha. Continuou dando concertos, também nos Estados Unidos, onde teve a oportunidade de se apresentar com Stan Getz.

Baden Powell tinha uma maneira única de tocar violão, incorporando elementos virtuosísticos da técnica clássica e suíngue e harmonia populares. Explorou de maneira radical os limites do instrumento, o que o transformou em uma rara estrela nacional da área com trânsito internacional.

Ele foi considerado por muitos um dos maiores violonistas de jazz desde o início da bossa nova. Já gravou muitos discos entre os quais é preciso mencionar “Baden Powell Quartet”, um álbum duplo gravado para a Barclay, “Stephane Grappelli - Baden Powell” (Fontana) e “Baden Powell” (MPS).

Depois de passar várias semanas no hospital, Baden Powell morreu a 26 de setembro de 2000, aos 63 anos.

Cronologia
1937, 6 de agosto - Nascimento em Varre-Sai, à época distrito do município de Natividade, RJ.
1937 - Muda-se, com a família, para a cidade do Rio de Janeiro, morando no bairro de São Cristóvão.
1962 - Conhece Vinícius de Moraes.
1962 - Primeira viagem à Europa, quando se torna o mais prestigioso artista brasileiro. Apresentações e gravações em vários países.
1969 - Vence a I Bienal do Samba, com a música Lapinha, composta junto com Paulo César Pinheiro.
1994 - Lança, no Brasil, o disco Baden Powell de Rio a Paris.
1994, julho - Apresenta-se na Sala Cecília Meireles, a cidade do Rio de Janeiro, ao lado dos filhos Louis Marcel Powell, violonista, e Phillipe Baden Powell, pianista e tecladista. Esse concerto foi gravado em CD, com o título Baden Powell e Filhos.
2000, 26 de setembro - Falecimento na cidade do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Astrud Gilberto



Astrud Gilberto, nascida Astrud Evangelina Weinert, (Salvador, 29 de março de 1940) é uma cantora brasileira de samba e bossa nova de fama internacional.
Nascida na Bahia, filha de mãe brasileira e pai alemão, mudou-se para o Rio de Janeiro com sua família, em 1947.
Astrud casou-se com João Gilberto em 1959 e mudou-se para os Estados Unidos em 1963, ano em que participou do álbum Getz/Gilberto juntamente de seu marido, do músico Stan Getz e do também brasileiro Tom Jobim. Astrud, que nunca havia cantado profissionalmente antes, participou das gravações por convite de seu marido, e durante as subsequentes apresentações descobriu que sofria de medo de palco.Astrud e João divorciaram-se em 1964. João Gilberto retornou ao Brasil, mas Astrud Gilberto continua residindo nos Estados Unidos, desde 1963.
O sucesso do trabalho de Astrud Gilberto na canção The Girl from Ipanema tornou-a um nome proeminente na música do jazz, e logo começou a fazer gravações solo.
Embora Astrud tenha começado como intérprete de bossa nova brasileira e jazz americano, passou também a gravar composições próprias na década de 1970. A canção "Astrud" , interpretada pela cantora polaca Basia é um tributo a ela.
Astrud Gilberto recebeu o prêmio Latin Jazz USA Award for Lifetime Achievement (1992) e foi incluída no International Latin Music Hall of Fame, em 2002.
A cantora também tornou-se conhecida pelo seu trabalho como artista pintora, assim como pelo apoio e contribuição que tem dado a proteção dos animais
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terça-feira, 13 de abril de 2010

Antônio Carlos Jobim



Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido como Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro.

É considerado um dos maiores expoentes da música brasileira e um dos criadores do movimento da bossa nova. É praticamente uma unanimidade entre críticos e público em termos de qualidade e sofisticação musical.

Biografia
Nascido no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, Tom mudou-se com a família no ano seguinte para Ipanema, onde foi criado. A ausência do pai, Jorge de Oliveira Jobim, durante a infância e adolescência lhe impôs um contido ressentimento, desenvolvendo no maestro uma profunda relação com a tristeza e o romantismo melódico, transferido peculiarmente para as construções harmônicas e melódicas. Aprendeu a tocar violão e piano em aulas, entre outros, com o professor alemão Hans-Joachim Koellreutter, introdutor da técnica dodecafônica no Brasil.

Vida pessoal
No dia 15 de outubro de 1949, Antônio Carlos Jobim casou-se com Thereza Otero Hermanny (1985), com quem teve dois filhos, Paulo (n. 1950) e Elizabeth (1957).

Em 30 de abril de 1986,[1] ele casou-se com a fotógrafa e vocalista da Banda Nova, Ana Beatriz Lontra,[2] que tinha a mesma idade de sua filha Elizabeth. Tom e sua segunda esposa tiveram dois filhos juntos, João Francisco (1979-1998[3][4]) e Maria Luiza (1987).[5]

Declarou em entrevista à TV Globo, em 1987, que o Rio de Janeiro onde viveu sua infância era muito diferente do Rio que se encontrava na época da entrevista.

Trajetória profissional
Pensou em trabalhar como arquiteto, chegando a cursar o primeiro ano da faculdade e até a se empregar em um escritório, mas logo desistiu e resolveu ser pianista. Tocava em bares e boates em Copacabana, como no Beco das Garrafas no início dos anos 1950, até que em 1952 foi contratado como arranjador pela gravadora Continental, onde trabalhou com Sávio Silveira. Além dos arranjos, também tinha a função de transcrever para a pauta as melodias de compositores que não dominavam a escrita musical. Datam dessa época as primeiras composições, sendo a primeira gravada "Incerteza", uma parceria com Newton Mendonça, na voz de Mauricy Moura.

Depois da Continental, foi para a Odeon. Entretanto, não tinha tanto tempo para se dedicar à composição, que lhe interessava mais. É nesse época que compõe alguns sambas, em parceria de Billy Blanco: Tereza da Praia, gravada por Lúcio Alves e Dick Farney pela Continental (1954), Solidão e a Sinfonia do Rio de Janeiro. Tereza da Praia o primeiro sucesso. Depois disso, ocorreram outras parcerias, como com a cantora e compositora Dolores Duran, na canção Se é por Falta de Adeus.

Em 1956 musicou a peça Orfeu da Conceição com Vinícius de Moraes, que se tornou um de seus parceiros mais constantes. Dessa peça fez bastante sucesso a canção antológica Se Todos Fossem Iguais a Você, gravada diversas vezes. Tom Jobim fez parte do núcleo embrionário da bossa nova. O LP Canção do Amor Demais (1958), em parceria com Vinícius, e interpretações de Elizeth Cardoso, foi acompanhado pelo violão de um baiano até então desconhecido, João Gilberto. A orquestração é considerada um marco inaugural da bossa nova, pela originalidade das melodias e harmonias. Inclui, entre outras, Canção do Amor Demais, Chega de Saudade e Eu Não Existo sem Você. A consolidação da bossa nova como estilo musical veio logo em seguida com o 78 rotações Chega de Saudade, interpretado por João Gilberto, lançado em 1959, com arranjos e direção musical de Tom, selou os rumos que a música popular brasileira tomaria dali para frente. No mesmo ano foi a vez de Sílvia Telles gravar Amor de Gente Moça, um disco com 12 canções de Tom, entre elas "Só em Teus Braços", "Dindi" (com Aloysio de Oliveira) e "A Felicidade" (com Vinícius).

Tom foi um dos destaques do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova York em 1962. No ano seguinte compôs, com Vinícius, um dos maiores sucessos e possivelmente a canção brasileira mais executada no exterior: "Garota de Ipanema". Nos anos de 1962 e 1963 a quantidade de "clássicos" produzidos por Tom é impressionante: "Samba do Avião", "Só Danço Samba" (com Vinícius), "Ela é Carioca" (com Vinícius), "O Morro Não Tem Vez", "Inútil Paisagem" (com Aloysio), "Vivo Sonhando". Nos Estados Unidos gravou discos (o primeiro individual foi The Composer of Desafinado, Plays, de 1965), participou de espetáculos e fundou sua própria editora, a Corcovado Music.

O sucesso fora do Brasil o fez voltar aos EUA em 1967 para gravar com um dos grandes mitos americanos, Frank Sinatra. O disco Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim, com arranjos de Claus Ogerman, incluiu versões em inglês das canções de Tom ("The Girl From Ipanema", "How Insensitive", "Dindi", "Quiet Night of Quiet Stars") e composições americanas, como "I Concentrate On You", de Cole Porter. No fim dos anos 1960, depois de lançar o disco Wave (com a faixa-título, Triste, Lamento entre outras instrumentais), participou de festivais no Brasil, conquistando o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção (Rede Globo), com Sabiá, parceria com Chico Buarque, interpretado por Cynara e Cybele, do Quarteto em Cy. Sabiá conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a interpretação diante dos constrangidos compositores.

Aprofundando seus estudos musicais, adquirindo influências de compositores eruditos, principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim prosseguiu gravando e compondo músicas vocais e instrumentais de rara inspiração, juntando harmonias do jazz (Stone Flower) e elementos tipicamente brasileiros, fruto de suas pesquisas sobre a cultura brasileira. É o caso de "Matita Perê" e "Urubu", lançados na década de 1970, que marcam a aliança entre sua sofisticação harmônica e sua qualidade de letrista. São desses dois discos Águas de Março, Ana Luiza, Lígia, Correnteza, O Boto, Ângela. Também nessa época grava discos com outros artistas, como Elis e Tom, com Elis Regina, Miúcha e Tom Jobim e Edu e Tom, com Edu Lobo.

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We are the world, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985) abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções Chega de mágoa e Seca d´água. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

Túmulo de Tom Jobim no Cemitério São João Batista, RJEm 1987, lançou Passarim, obra de um compositor já consagrado, que pode desenvolver seu trabalho sem qualquer receio, acompanhado por uma banda grande, a Banda Nova. Além da faixa-título, Gabriela, Luiza, Chansong, Borzeguim e Anos Dourados (com Chico Buarque) são os destaques. Em 1992 foi enredo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Seu último álbum, Antônio Brasileiro, foi lançado em 1994, pouco antes da sua morte de parada cardíaca quando estava se recuperando de um câncer de bexiga, em dezembro, nos EUA.
Algumas biografias foram publicadas, entre elas Antônio Carlos Jobim, um Homem Iluminado, de sua irmã Helena Jobim, Antônio Carlos Jobim - Uma Biografia, de Sérgio Cabral, e Tons sobre Tom, de Márcia Cezimbra, Tárik de Souza e Tessy Callado.
Antônio Carlos Jobim era doutor «honoris causa» pela Universidade Nova de Lisboa / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, por volta de 1991.
O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro foi renomeado Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antônio Carlos Jobim ' junto ao Congresso Nacional por uma comissão de notáveis, formada por Chico Buarque, Oscar Niemeyer, João Ubaldo Ribeiro, Antônio Cândido, Antônio Houaiss e Edu Lobo, criada e pessoalmente coordenada pelo crítico Ricardo Cravo Albin.

Alaíde Costa (Bossa Nova)



Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide, mais conhecida como Alaíde Costa, (Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1935) é uma cantora e compositora brasileira.
Começou no programa A raia miúda de Renato Murce. Com um canto suave e sussurrado, é considerada uma das perfeitas vozes do país. Consagrou em 1964 com Onde está você?, grande marco da voz, que embalou casais. Com quinze discos gravados em cinqüenta anos de carreira, participou dos principais programas de televisão e de rádio no eixo Rio-São Paulo. Tema de reportagens de jornais e revistas, participou de festivais internacionais e recebeu importantes prêmios e homenagens de expoentes da música popular brasileira. Uma das grandes referências musicais do movimento surgido em 1957, a bossa nova, frequentava a boemia do Beco das Garrafas, em Copacabana.

Algumas musicas da bossa e suas historias



Chega de Saudade - É o marco zero do movimento. Saiu primeiro em maio de 1958, na voz de Elizeth Cardoso, com João Gilberto no violão, num disco todo feito de parcerias entre Tom Jobim e Vinicius de Moraes, o famoso 'Canção do Amor Demais'. Foi a primeira vez que se ouviu a tal batida da bossa nova: o violão único de João, que todo os jovens músicos da época tentaram imitar.
Mas o próprio João Gilberto, que não saiu nos créditos do disco da Elizeth, teimava - ainda bem - em fazer a sua própria versão de 'Chega de Saudade', Com a ajuda de Tom Jobim, acabou gravando um histórico compacto em 1958, que trazia 'Chega de Saudade' de um lado, e do outro 'Bim Bom' (uma rara composição do próprio João). Foi a primeira vez que se ouviu a tal da batida casada à interpretação única de João Gilberto - e que depois todo mundo quis imitar também. Depois desse compacto, pode-se dizer que a bossa nova estava de fato inaugurada.
A gravação do compacto foi uma verdadeira epopéia. João Gilberto ainda não era famoso, mas já era o perfeccionista até hoje capaz de enlouquecer técnicos e orquestra. Houve brigas com os músicos, com os técnicos e também com Tom Jobim, como narra Ruy Castro. Houve até um motim, quando os músicos se recusaram a continuar a gravação. Depois foram acalmados, mas aí foi a vez de João se recusar a cantar... Ou seja, 'Chega de Saudade', de quebra, inaugura também parte do vasto folclore que cerca João Gilberto, síntese maior da bossa nova.

Desafinado - Nasceu como uma brincadeira cruel dos parceiros Tom Jobim e Newton Mendonça: compor uma apologia dos cantores desafinados (que eles conheciam da noite) numa base musical complexa o bastante para embaraçá-los. Ficou praticamente pronta em uma só noite e consagrou a expressão que já era moda entre os jovens compositores: 'Isto é bossa nova, isto é muito natural'.

O Pato - João Gilberto já cantava 'O Pato' com os Garotos da Lua, muito antes da bossa nova, mas foi só no final dos anos 50 que a música tornou-se uma verdadeira obsessão. Passava horas seguidas tocando e cantando 'O Pato'. Vem daí a lenda de que seu gato, que morreu após cair do parapeito do apartamento, teria na verdade cometido suicídio porque não suportava mais escutar 'O Pato'. A música é um dos sucessos do segundo disco de João Gilberto, 'O Amor, O Sorriso e A Flor'.


Se todos fossem iguais a você - 'Se todos fossem iguais a você' antecipa a bossa nova. É de 1956, dois anos antes, portanto, da 'fundação' do gênero. Foi a primeira criação de uma das mais brilhantes e frutíferas parcerias do gênero: Tom e Vinicius. Foi feita no famoso sobrado da Nascimento Silva 107, e, Ipanema, onde, quatro depois, como cantado em 'Carta ao Tom 74', a dupla ensinaria a Elizeth Cardoso as canções da ' Canção do Amor Demais' - aí sim, inaugurando oficialmente a bossa nova.
'Se Todos Fossem Iguais a Você' foi composta para musical 'Orfeu da Conceição', que fez enorme sucesso logo na estréia, no Teatro Municipal, com Haroldo Costa e Dirce Paiva no elenco, e cenário de Oscar Niemeyer


Samba de Uma Nota Só - Clássico instantâneo da bossa nova e espécie de carta de intenções. Diz que bossa nova é samba (ou 'sambinha') e decreta que 'a base é uma só'. Mais uma da dupla Tom Jobim/Newton Mendonça.


Bim-Bom - João Gilberto, o intérprete, é figura central da bossa nova. Seu violão é a marca registrada do gênero, e ele mesmo tornou-se o ídolo de quase todos os ídolos do período. Já seu trabalho como compositor é uma espécie de lado B. Ele gravou apenas seis músicas de sua autoria: 'Hô-bá-lá-lá', 'Bim-Bom', 'Um Abraço no Bonfá', 'Undiú', 'João Marcello', 'Acapulco' e 'Valsa'. Vendeu os direitos das três primeiras a preço de banana: 307 dólares (em 1961), conta Ruy Castro.


Meditação - É de 'Meditação' o verso que batiza o segundo álbum de João Gilberto, 'O Amor, o Sorriso e a Flor'. Diz que: 'Quem acreditou / No amor, no sorriso, na flor / Então sonhou, sonhou...'. O disco todo é como um marco da maioridade da bossa nova. Além de 'Meditação', aparecem mais duas parcerias dos amigos de infância Tom Jobim e Newton Mendonça ('Samba de uma Nota Só' e 'Discussão'), três só de Tom Jobim ('Corcovado', 'Outra Vez', 'Só em Teus Braços'), uma de Carlinhos Lyra e Ronaldo Bôscoli ('Se é Tarde Me Perdoa'), uma rara composição do próprio João Gilberto em homenagem ao amigo Luiz Bonfá ('Um Abraço no Bonfá') e ainda: 'O Pato' (Jayme Silva - Neusa Teixeira), 'Amor Certinho' (Roberto Guimarães), 'Trevo de Quatro Folhas' (M.Dixon - H.Woods) e 'Doralice' (Antônio Almeida - Dorival Caymmi).


O Barquinho - Roberto Menescal e turma chamavam de 'samba canseira' a música brasileira que antecedeu a bossa nova. 'Era tudo feito com palavras sofridas e não batia com uma geração feito a nossa, que vinha com a cabeça voltada para a natureza, para o dia, para o sol', diz, , na autobiografia que leva seu nome, da coleção 'Gente'. 'Nós (...) trouxemos o sal, o sol e o sul (...). E foi uma festa', lembra Roberto Menescal. 'O Barquinho', dele e Ronaldo Bôscoli, é sua música-síntese. Um dos maiores sucessos da bossa nova, 'O Barquinho' também ilustra certa predileção do movimento pelos diminutivos: a tardinha, o barquinho, o cantinho, o sambinha, o beijinho, o banquinho, etc.
Ah, sim. O barquinho em questão existiu mesmo. Era uma traineira (Tiago II) que Menescal, grande mergulhador, costumava alugar em Cabo Frio. Mas a música não foi composta em alto-mar, não. É uma das tantas que saíram dos encontros realizados no apartamento de Nara Leão, na Avenida Atlântica, Ipanema.


Garota de Ipanema - Estreou em 1962, no histórico show do Bon Gourmet, no Rio, que reuniu Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto. O impacto da música foi tamanho que, conta Ruy Castro em 'Chega de Saudade', ninguém lembra que na mesma noite também estrearam outros clássicos absolutos: 'Só Danço Samba', 'Samba do Avião' e 'Samba da Bênção'.
Não, a música não foi composta no bar Veloso, depois rebatizado Garota de Ipanema, esquina da Prudente de Moraes com Montenegro (depois rebatizada Rua Vinicius de Moraes). Castro conta que Tom fez a melodia em sua própria casa para uma comédia muscial que nunca saiu do papel. Vinicius pôs a letra em Petrópolis.
Mas é fato que foi no Veloso que a dupla viu a menina passar, várias vezes, nem sempre a caminho do mar. Aliás, era este o título original: 'Menina que Passa'. A menina, como se sabe, era a Helô Pinheiro, então com 19 anos. Morava na Montenegro e costumava passar pelo Veloso para comprar cigarro para a mãe.Isso hoje é notório. Mas em 1962 poucos sabiam quem era a musa inspiradora da canção. Só em 1965 Tom e Vinicius revelaram tratar-se de Helô, já com 22 anos.
'Garota de Ipanema' foi um estouro: no Brasil, depois nos Estados Unidos, depois no mundo todo. Teve mais de 40 gravações nos dois primeiros anos, segundo Ruy Castro. Virou uma espécie de Monalisa da música brasileira. Com 'Yesterday', dos Beatles, disputa o posto de música mais tocada no mundo. Ganhou um sem número de interpretações e versões. O estadao.com.br apresenta aqui trechos de 98 versões compiladas pela própria garota de Ipanema.


Corcovado - No original, seu primeiro verso quase pôs a música toda a se perder: 'Um cigarro, um violão...'. Até que João Gilberto, incomodado, propôs a Tom Jobim reformulá-la. 'Um cantinho, um violão/este amor, uma canção' acabou tornando-se um dos versos mais conhecidos do repertório nacional. Foi com 'Corcovado', em português e em inglês ('quiet nights of quiet stars'), que Tom Jobim cativou a pláteia norte-americana no histórico show do Carnegie Hall, que em 1962 projetou a turma da bossa nova no exterior.


Influência do Jazz - Diz a letra: 'Que o samba balança de um lado pro outro / O jazz é diferente pra frente, pra trás / E o samba meio morto, ficou meio torto / Influência do Jazz'. É uma resposta - que acaba irônica - à polêmica sem fim que credita a bossa nova à música americana e ignora a importância do samba para sua gênese. Mas para além da ironia, 'Influência do Jazz', como parte do ótimo terceiro disco de Carlinhos Lyra, 'Depois do Carnaval', de 1963, ilustra também uma guinada para alguns dos mais nomes notórios da bossa nova: do asfalto ao morro, do idílio ao engajamento político. 'Conheci Cartola, Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e João do Vale e aproximei a música do morro e a música rural da música da classe média', diz Lyra, em texto auto-biográfico, disponível em seu site. Nara Leão, musa do movimento, também acabou deixando 'o amor, o sorriso e a flor' para trás e, no ano seguinte, estreava em disco com 'Opinião de Nara', cantando os sambas de Zé Kéti e João do Vale.


Águas de Março - A bossa nova já era coisa do passado quando saiu o 'Disco de Bolso - O Tom de Antonio Carlos Jobim e o Tal de Joao Bosco', encartado numa edição do semanário 'Pasquim' de 1972. Continha de um lado 'Águas de Março', cantada pelo próprio Tom, do outro 'Agnus Sei', do estreante João Bosco. Mas a versão definitiva de 'Águas de Março' é o dueto que consta do antológico 'Elis e Tom', de 1974, recentemente remasterizado. Música e álbum são constantemente citados entre os melhores de toda a música, e, eventualmente, os melhores.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Depoimento de Nara Leão - Bossa Nova




Nara Leão, Sílvio Caldas e Carlos Lyra no programa Renner Brasil, TV Excelsior, São Paulo, maio de 1963.
“A Bossa Nova foi importante para mim e para a humanidade, pois mudou a música do mundo inteiro. Pimeiro, é preciso destacar o João Gilberto, porque ele mudou tudo. Chegou até a ser chamado de desafinado, coisa que ele não é.
Na verdade é afinaderrímo, a coisa mais afinada do mundo, mas as pessoas achavam que um cantor que não gritasse era desafinado. Sua maneira de cantar é fantástica, não precisa de orquestra nenhuma. O violão, sozinho, parece uma orquestra. Com a boca, faz uma bateria, milhares de coisas.
A Bossa Nova também mudou as letras. Havia uma parte substancial de nossa música em que as letras eram dramáticas, sentimentais, derramadas. A Bossa Nova veio com aquele negócio de amor, sorriso, flor, céu. Era uma coisa leve. Para mim, ela continua viva e muito nova. A música quando é boa a gente ouve sempre, com prazer. E a Bossa Nova contribuiu muito com a nossa música tradicional.
Antes o samba não tinha uma harmonia rica. Quando o Carlinhos Lyra me apresentou aos sambas, tocados de maneira bossa-novista, achei muito interessante. Mas, na época, eu pensava que não podia cantar uma coisa que João Gilberto já tivesse cantado, porque ele canta maneira extraordinária.
Só tive coragem de fazer Bossa Nova quando fui para Paris e gravei um álbum duplo. O João me inibia de cantar Bossa Nova. O que se guardou do movimento foi a maneira de cantar e a harmonia. Os arranjos e a harmonia”.

Fonte: Depoimento a Almir Chediak no Songbook Bossa Nova.

Depoimento de Tom Jobim - Bossa Nova

Em Nova York, gravação do álbum "Stan Getz e João Gilberto". Da esquerda para a direita: Tião Neto, Tom Jobim, Stan Getz, João e Milton Banana.

“A música brasileira vinha tomando um caminho em direção do modernismo, ao moderno. Embora essa palavra ‘moderno’ não signifique muita coisa... O fato é que a música brasileira ia em direção a algo novo, na direção do progresso, daquilo que Juscelino fazia, quando o Brasil começou a fabricar automóveis, construir estradas, tinha a Petrobrás com “o petróleo é nosso”, aquela coisa toda.
A gente era jovem e tinha vontade de fazer as coisas. E, sobretudo, apareceu um baiano chamado João Gilberto, nascido em Juazeiro, na beira do rio São Francisco - ali, você sabe, cruzando o rio, você está em Pernambuco -, com aquela fantástica batida no violão.
A gente tinha o Johnny Alf, eu e outros fazendo samba moderno, mas com a chegada do João, o negócio balançou. Ele bagunçou o coreto. Porque a coisa do João era genial.
Depois, a Bossa Nova tornou-se um padrão, uma coisa chata - tché-tché, tché-tché - ficou todo mundo tocando igual no Brasil, na América, na Europa etc. Houve uma certa padronização dessa batida.
As pessoas cantavam qualquer coisa nessa batida. O que nunca foi o caso do João. A batida dele tem a ver com o que ele canta. Aquilo forma um contraponto, um jogo, não é isso? - que suinga e que balança. Esse é um dos muitos aspectos da Bossa Nova. Há várias maneiras de você olhar a Bossa Nova..."
Fonte: Depoimento de Tom Jobim a Almir Chediak no Songbook Bossa Nova.

Depoimento de Vinícius de Moraes - Bossa Nova







Na casa de Vinícius de Moraes, os Cariocas: Severino, Badeco, Luiz Roberto e Quartera cantam para o poeta.
"O movimento da Bossa Nova está ligado ao processo de desenvolvimento do país. A partir de 1922, o movimento modernista rompeu formalmente com a cultura européia. Houve uma grande busca - criações nacionais na poesia, na pintura, em tudo.
O grande Villa-Lobos é prova disso. Um tremendo músico, um erudito que tinha raízes populares, que tocava violão e fazia serestas nos bairros boêmios do Rio. Na música popular, o desenvolvimento foi diferente. O samba tradicional começou com os carnavais do princípio do século. Houve um grande êxodo de escravos, que se estabeleceram no Rio e começaram a trabalhar ritmos e danças.
Nisso, a música brasileira se parece muito com o jazz. A contribuição da cultura africana é importantíssima. Devemos a eles toda a parte de ritmo. Nós tivemos a influência católica. Os primeiros cantos de jazz tiveram a influência protestante. Era obrigação acompanhar a missa, escutar esse tipo de música. Não obstante, se preservou a pureza do ritmo africano.
O que há realmente de importante no Brasil é uma unidade de sentimentos que vem da mistura do português com o negro e o índio. Criou-se, com isso, uma espécie de tristeza do povo, de melancolia, que explode nas festas tribais, como o carnaval. O português é muito romântico. O negro também, mas com ritmo e uma vitalidade enorme".
Fonte: Depoimento de Vinícius de Moraes ao Jornal Opinião – Novembro de 1970.

Depoimento de Carlos Lyra - Bossa Nova


“Quando a Bossa Nova surgiu houve uma grande mudança, uma sofisticação que atingiu a letra, a harmonia e a melodia. Antes, havia melodias bonitas, produzidas por Ary Barroso, Custódio Mesquita, Dorival Caymmi, este, uma espécie de precursor da Bossa Nova.
Havia muita gente importante, como Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Dircinha e Linda Batista. Isso era a grande música popular brasileira. Era a música popular mesmo, porque a Bossa Nova, para mim, é música popular de câmera, não é música popular.
A Bossa Nova foi um tipo de música feita pela classe média para atender a própria classe média. Quando se fala de influências houve a do impressionismo europeu e do jazz norte-americano.
O que diferenciava a harmonia da Bossa Nova da harmonia tradicional? Era alguma coisa elaborada, com elementos do jazz e do impressionismo na parte técnica. A melodia também ganhou uma sofisticação, algo blue note, com muita nota alterada, coisa que o povo não cantava. As melodias do povo são mais simples. Por incrível que pareça, as harmonizações passaram também a dar uma nova cara harmônica às músicas antigas, as populares.
Na letra, Vinícius de Moraes e os demais letristas - entre os quais, eu me incluo - tiraram aquele clima de tango e de bolero, um gosto bem latino-americano, para fazer algo mais leve, mais relacionado com certos textos das comédias norte-americanas e européias...”
Fonte: Depoimento de Carlos Lyra a Almir Chediak, no Songbook Bossa Nova


O primeiro time da Bossa Nova: Tom, Vinícius, Bôscoli, Menescal e Lyra. O uísque também fazia parte do grupo.


A bossa nova é um movimento da música popular brasileira surgido no final da década de 1950 na capital fluminense. De início, o termo era apenas relativo a um novo modo de cantar e tocar samba naquela época. Anos depois, Bossa Nova se tornaria um dos gêneros musicais brasileiros mais conhecidos em todo o mundo, especialmente associado a João Gilberto, Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá.

A palavra bossa apareceu pela primeira vez na década de 1930, em Coisas Nossas, samba do popular cantor Noel Rosa: O samba, a prontidão/e outras bossas,/são nossas coisas(...). A expressão bossa nova passou a ser utilizada também na década seguinte para aqueles sambas de breque, baseado no talento de improvisar paradas súbitas durante a música para encaixar falas.

Alguns críticos musicais destacam a grande influência que a cultura americana do Pós-Guerra, de musicos como Stan Kenton, combinada ao impressionismo erudito, de Debussy e Ravel, teve na bossa nova, especialmente do cool jazz e bebop. Além disso, havia um fundamental inconformismo com o formato musical de época. Os cantores Dick Farney e Lúcio Alves, que fizeram sucesso nos anos da década de 1950 com um jeito suave e minimalista (em oposição a cantores de grande potência sonora) também são considerados influências positivas sobre os garotos que fizeram a Bossa Nova.

Um embrião do movimento, já na década de 1950, eram as reuniões casuais, frutos de encontros de um grupo de músicos da classe médiacarioca em apartamentos da zona sul, como o de Nara Leão, na Avenida Atlântica, em Copacabana. Nestes encontros, cada vez mais freqüentes, a partir de 1957, um grupo se reunia para fazer e ouvir música. Dentre os participantes estavam novos compositores da música brasileira, como Billy Blanco, Carlos Lyra, Roberto Menescal e Sérgio Ricardo, entre outros. O grupo foi aumentando, abraçando tambémChico Feitosa, João Gilberto, Luiz Carlos Vinhas, Ronaldo Bôscoli, entre outros.

Primeiro movimento musical brasileiro egresso das faculdades, já que os primeiros concertos foram realizados em âmbito universitário, pouco a pouco aquilo que se tornaria a bossa nova foi ocupando bares do circuito de Copacabana, no chamado Beco das Garrafas.

No final de 1957, numa destas apresentações, no Colégio Israelita-Brasileiro, teria havido a idéia de chamar o novo gênero - então apenas denominado de samba sessions, numa alusão à fusão entre samba e jazz - , através de um recado escrito num quadro-negro, provavelmente escrito por uma secretária do colégio, chamando as pessoas para uma apresentação desamba-sessions por uma turma "bossa-nova". No evento participaram Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Sylvia Telles, Roberto Menescal e Luiz Eça, onde foram anunciados como "(...)grupo bossa nova apresentando sambas modernos"


Início oficial

Vinicius de Moraes, principal letrista de canções da bossa nova a partir de "Chega de Saudade", composição feita com Tom Jobim em 1958 e que consagrou o estilo.

Movimento que ficou associado ao crescimento urbano brasileiro - impulsionado pela fase desenvolvimentista da presidência de Juscelino Kubitschek (1955-1960) -, a bossa nova iniciou-se para muitos críticos quando foi lançado, em agosto de 1958, um compacto simples do violonista baiano João Gilberto (considerado o papa do movimento), contendo as canções Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (do próprio cantor).

Meses antes, João participara de Canção do Amor Demais, um álbum lançado em maio daquele mesmo ano e exclusivamente dedicado às canções da iniciante dupla Tom/Vinicius, interpretado pela cantora fluminense Elizeth Cardoso. De acordo com o escritor Ruy Castro (em seu livro Chega de saudade, de 1990), este LP não foi um sucesso imediato ao ser lançado, mas o disco pode ser considerado um dos marcos da bossa nova, não só por ter trazido algumas das mais clássicas composições do gênero - entre as quais, Luciana, Estrada Branca, Outra Vez eChega de Saudade-, como também pela célebre batida do violão de João Gilberto, com seus acordes dissonantes e inspirados no jazz norte-americano - influência esta que daria argumentos aos críticos da bossa nova.

Outras das características do movimento eram suas letras que, contrastando com os sucessos de até então, abordavam temáticas leves e descompromissadas - exemplo disto, Meditação, de Tom Jobim e Newton Mendonça. A forma de cantar também se diferenciava da que se tinha na época. Segundo o maestro Júlio Medaglia, "desenvolver-se-ia a prática do canto-falado ou do cantar baixinho, do texto bem pronunciado, do tom coloquial da narrativa musical, do acompanhamento e canto integrando-se mutuamente, em lugar da valorização da 'grande voz'".[2]

Em 1959, era lançado o primeiro LP de João Gilberto, Chega de saudade, contendo a faixa-título - canção com cerca de 100 regravações feitas por artistas brasileiros e estrangeiros. A partir dali, a bossa nova era uma realidade. Além de João, parte do repertório clássico do movimento deve-se as parcerias de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Consta-se, segundo muitos afirmam, que o espírito bossa-novista já se encontrava na música que Jobim e Moraes fizeram, em 1956, para a peça Orfeu da Conceição, primeira parceria da dupla, que esteve perto de não acontecer, uma vez que Vinícius primeiro entrou em contato com Vadico, o famoso parceiro de Noel Rosa e ex-membro do Bando da Lua, para fazer a trilha sonora. É dessa peça, baseada na tragédia Grega Orfeu, uma das belas composições de Tom e Vinícius, "Se todos fossem iguais a você", já prenunciando os elementos melódicos da Bossa Nova.

Além de Chega de saudade, os dois compuseram Garota de Ipanema, outra representativa canção da bossa nova, que se tornou a canção brasileira mais conhecida em todo o mundo, depois de Aquarela do Brasil (Ary Barroso), com mais de 169 gravações, entre as quais de Sarah Vaughan, Stan Getz, Frank Sinatra (com Tom Jobim), Ella Fitzgerald entre outros. É de Tom Jobim também, junto com Newton Mendonça, as canções Desafinado e Samba de uma Nota Só, dois dos primeiros clássicos do novo gênero musical brasileiro a serem gravados no mercado norte-americano a partir de 1960.

Reconhecimento

Com o passar dos anos, a bossa nova que no Brasil era inicialmente considerada música de "elite" (cultural), tornou-se cada vez mais popular com o público brasileiro, em geral. Em1962, foi realizado um histórico concerto no Carnegie Hall de Nova Iorque, consagrando mundialmente o estilo musical. Deste espetáculo, participaram, entre outros, Tom Jobim, João Gilberto, Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Roberto Menescal, Chico Feitosa, Normando Santos, Milton Banana, Sérgio Ricardo, além de artistas que pouco tinham a ver com a bossa nova, como o pianista argentino Lalo Schifrin.

Mudanças

Em meados da década de 1960, o movimento apresentaria uma espécie de cisão ideológica, formada por Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime e estimulada pelo Centro Popular de Cultura da UNE. Inspirada em uma visão popular e nacionalista, este grupo fez uma crítica das influências do jazz norte-americano na bossa nova e propôs sua reaproximação com compositores de morro, como o sambista Zé Ketti. Um dos pilares da bossa, Carlos Lyra, aderiu a esta corrente, assim como Nara Leão, que promoveu parcerias com artistas do samba como Cartola e Nelson Cavaquinho e baião e xote nordestinos como João do Vale. Nesta fase de releituras da bossa nova, foi lançado em 1966 o antológico LP "Os Afro-sambas", de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

Entre os artistas que se destacaram nesta segunda geração (1962-1966) da bossa nova estão Paulo Sérgio Valle, Edu Lobo, Ruy Guerra, Pingarilho, Marcos Vasconcelos, Dori Caymmi,Nelson Motta, Francis Hime, Wilson Simonal, entre outros.

Fim do movimento, da bossa à MPB

Um dos maiores expoentes da bossa nova comporia um dos marcos do fim do movimento. Em 1965, Vinícius de Moraes compôs, com Edu Lobo, Arrastão. A canção seria defendida porElis Regina no I Festival de Música Popular Brasileira (da extinta TV Excelsior), realizado no Guarujá naquele mesmo ano. Era o fim da bossa nova e o início do que se rotularia MPB, gênero difuso que abarcaria diversas tendências da música brasileira até o início da década de 1980 - época em que surgiu um pop rock nacional renovado.

A MPB nascia com artistas novatos, da segunda geração da bossa nova, como Geraldo Vandré, Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda, que apareciam com freqüência em festivais de música popular. Bem-sucedidos como artistas, eles tinham pouco ou quase nada de bossa nova. Vencedoras do II Festival de Música Popular Brasileira, realizado em São Paulo em1966, Disparada, de Geraldo, e A Banda, de Chico, podem ser consideradas marcos desta ruptura e mutação da bossa em MPB.

Legado

Hoje em dia, inúmeros concertos dedicados à bossa nova são realizados, entre os quais, entre 2000 e 2001, os intitulados 40 anos de Bossa Nova, com Roberto Menescal e Wanda Sá.

O fim cronológico da bossa não significou a extinção estética do estilo. O movimento foi uma grande referência para gerações posteriores de artistas, do jazz (a partir do sucesso estrondoso da versão instrumental de Desafinado pela dupla Stan Getz e Charlie Byrd) a uma corrente pós punk britânica (de artistas como Style Council, Matt Bianco e Everything but the Girl).

No rock brasileiro, há de se destacar tanto a regravação da composição de Lobão, Me chama, pelo músico bossa-novista João Gilberto, em 1986, além da famosa música do cantor Cazuza composta por ele e outros músicos, Faz parte do meu show, gravada em 1988, com arranjos fortemente inspirados na Bossa Nova.

Seu legado é valioso, deixando várias jóias da música nacional, dentre as quais Chega de Saudade, Garota de Ipanema, Desafinado, O barquinho, Eu Sei Que Vou Te Amar, Se Todos Fossem Iguais A Você, Águas de março, Outra Vez, Coisa mais linda, Corcovado, Insensatez, Maria Ninguém, Samba de uma nota só, O pato, Lobo Bobo, Saudade fez um Samba

Artistas do movimento

§ Grandes nomes

§ Alaíde Costa

§ Antônio Carlos Jobim

§ Astrud Gilberto

§ Baden Powell

§ Carlos Lyra

§ Claudette Soares

§ Danilo Caymmi

§ Elizeth Cardoso

§ Johnny Alf

§ João Donato

§ João Gilberto

§ Luís Bonfá

§ Luiz Eça

§ Marcos Valle

§ Maysa

§ Miúcha

§ Nara Leão

§ Newton Mendonça

§ Os Cariocas

§ Oscar Castro Neves

§ Roberto Menescal

§ Ronaldo Bôscoli

§ Sergio Mendes

§ Sylvia Telles

§ Stan Getz

§ Vinicius de Moraes

§ Zimbo trio